Vida e os "amigos"

Já passou um mês desde que aqui estive. Muita coisa se passou. Mas depois de tantos anos de blog, já nem sei quantos, acho que o blog vai fazer 8 anos, vou falar abertamente sobre algumas coisas.
No ano passado, ou nos últimos meses, tenho falado em saúde. E isso é importante. Com 28 anos, e 18 anos de diabetes, apareceu-me uma complicação da doença. E neste momento priorizo o meu bem estar e a minha saúde. Ter mais cuidados com a alimentação, fazendo low carb, e o exercício, que tem sido mais nestes últimos 3 meses. Mas o susto fez-me acordar. Eu sou importante. E tenho de cuidar de mim. A habituação a este estilo de vida custa, mas se outras pessoas conseguiram melhorar a sua qualidade de vida e até reverter complicações, eu hei-de conseguir também. Mas custa-me. Não sei lidar bem com as minhas falhas. Não gosto de me sentir vulnerável. Nem de falar da minha saúde. Só o meu marido é que sabe disto. Ele é e tem sido o maior apoio, é o meu melhor amigo e a melhor pessoa que conheço. 
Ando ausente, pois para além de me priorizar, tenho outras coisas na vida. Consegui passar a tudo neste semestre, e já vou para o último ano do curso. Modéstia à parte, considero-me inteligente, e sou lutadora, não desisto das coisas à primeira dificuldade, e se não souber, procuro/pesquiso. 
Graças ao meu marido e à família, mas principalmente ele, tenho conseguido ver que sou capaz de mais. Se há coisa que mais me chateiam os nervos são pessoas burras que não se esforçam para nada. E que acham que tenho "sorte". Sorte é a palavra mais usada, quando ouço essas cenas tenho vontade de responder, mas contenho-me porque não vale a pena. Aqui não há sorte nenhuma. Há esforço, muito trabalho, poucas horas de sono, mais trabalho, e força de vontade. Quero uma coisa não desisto até a conseguir. Seja um curso ou saúde. Estar num curso maioritariamente masculino não me mete medo. Até porque me dou melhor com homens do que com mulheres. Às vezes não tenho paciência para os queixumes/dramas das mulheres. Ou para a típica conversa de "quem é o mais coitadinho". 
Quanto às amizades, conto pelos dedos de uma mão quem é realmente meu amigo. 
Digam-me lá, se forem vocês a fazer sempre um esforço, a ir ter com a pessoa, a ajudar, ouvir os problemas, e quando é com vocês essa pessoa nunca pode, nem vos procura (ou procura quando precisa de alguma coisa) o que é que isso é? Pois, amizades por interesse, não obrigada.
 Quando decidi voltar a estudar, a lutar por mim e pelo meu futuro, há pessoas que ficam com aquela coisa chamada "dor de cotovelo". E ainda a têm. Há pessoas que não podem ver ninguém feliz, tem de ser tudo uma competição, "ai vamos ver quem é mais feliz, quem viaja mais, quem publica mais fotos e tem mais gostos, quem tem mais amigos", etc... Santa paciência, tão infantis. Eu não quero saber disso para nada. Eu não ligo a nada disso. A mim não me interessa ter isto ou aquilo, eu só quero ter saúde e ser feliz ao lado de quem gosta de mim. O resto não interessa. 
Hoje em dia as pessoas são tão fúteis, é tudo para mostrar (para usar o cérebro não, dá muito trabalho), vivem cheias de ilusões na cabeça, e depois queixam-se da vida que têm. Estão mal? Mudem. Não esperem é que as coisas vos caiam do céu, nem acreditem na história da carochinha. 
É muito fácil olhar para o outro e dizer que tem uma boa vida. O meu Homem tem um bom trabalho, mas não sabem o que ele passou. Tirar licenciatura e mestrado e ainda trabalhar 8/9h, e chegar ao fim de semana e ainda trabalhar mais, eu própria digo, não sei como ele foi capaz. Mas há pessoas que só vêm superficialmente, para uns é mais fácil estar no café o dia todo a beber minis e a fumar do que a trabalhar. Ou então viverem de rendimentos mínimos. Ou encherem-se de créditos até ao pescoço. Rídiculo. É o que acho. 
Ora pois para quem acha que tenho "sorte" ou que a minha vida é fácil, vou aqui dizer um dia normal da minha vida:
Cuidar da casa, nomeadamente tratar de refeições (marmitas), lavar roupa/estender/dobrar, apanhar transportes para a universidade (1h), andar carregada com tralha (levar comida/lanche, mais portátil, mais cadernos, mais coisas da diabetes), ir às aulas, aproveitar o tempo livre para estudar ou fazer trabalhos, novamente apanhar transportes (1h), chegar a casa, tratar do jantar e marmitas, deixar casa arrumada, fazer uma caminhada, sentar no sofá e adormecer de cansaço. Portanto, não é fácil. Não tenho empregada, e experimentem ir às compras supermercado nas piores horas (vou quando tenho tempo) e vêm o tempo que perdem. 2h de transportes diários, comboio e metro, andar carregada, e chegar a casa ainda coisas para fazer, e chegar fim de semana é que tenho mais tempo para estudar. E é isto. Quem pensa que estudar é fácil está muito enganado. 
É engraçado quando vejo a malta nova que não tem responsabilidades nenhumas e que tem os paizinhos a fazer tudo a queixarem-se da vida. Tadinhos, sofrem muito, nunca trabalharam e acham que é tudo fácil nesta vida. Tão ingénuos. Enfim. 
E pronto, agora estou de férias, finalmente, após dois anos sem férias, conseguir finalmente dormir. Sim que daqui a um mês e pouco começa tudo de novo. E aproveito para dormir e ver séries, ler, fazer exercício, relaxar um pouco que já andava a precisar disto há muito tempo. Só de respirar e olhar para o horizonte, sem pressas. E estou desejosa que chegue Setembro. Com o meu jeitoso, concretizar um sonho, e aproveitar bem que o último ano do curso vai ser ainda mais puxado. 
Foram estas as novidades. Há que priorizar as coisas, e ver quem nos quer bem, excluir pessoas tóxicas da nossa vida, e lutar pelo que queremos. Sem esforço nada se consegue. 
Beijinhos*

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